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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

O Cristão na sociedade





Hoje o facebook me mostrou uma lembranda de uma publicação de 1 ano atrás que não poderia deixar perder, a seguir segue esta reflexão que é sempre pertinente, afinal, misturar Graça salvadora com cosmovisões, evangelho social, e outras ideologias que tem pregado que a presença do cristão deve transformar a sociedade ao seu redor:


Como hoje me incomodou logo pela manha ler em uma página "cristã" abaixo de um vídeo de violência na porta de uma repartição do governo Indiano o comentário "É só para vocês verem como todo país pagão que nega ou proíbe o Cristianismo é bárbaro, atrasado, ignorante, violento, brutal e miserável."

Apenas ressalto que há cristãos e muitas igrejas e universidades cristãs na Índia, eu mesmo devo parte de meus estudos a eles, aliás, num excelente programa de mestrado em Kerala, numa universidade Cristã. E, de forma alguma pode-se chamar o país de bárbaro e atrasado, possuem uma indústria cinematográfica que produz 10 vezes mais filmes que Hollywood e são mais populares que os filmes americanos por toda a ásia, Africa e Oceania. Possui tecnologia nuclear, e um dos mais avançados países do mundo nas áreas de tecnologia e ciência médica. Cristo não veio para fazer o país mais ou menos "civilizado", ele veio Redimir a humanidade condenada. Confundir a obra da Salvação com o que um país desenvolve ou não é distorcer a Graça. 
Fosse o desenvolvimento de um local o testemunho do cuidado de Deus, Belém, literalmente o berço do Cristianismo, continua uma vila que sobrevive de turismo religioso. Seria isto prova de que os cristãos não são tão protegidos e amados quanto os moradores de Dubai, todos muçulmanos? Teria Deus se esquecido dos Cristãos do leste europeu? Mortos aos milhares pela fome (e de outras formas mais diretas) sob a cortina de ferro? Não foi justamente o leste europeu que defendeu os limites do cristianismo quando o império romano do ocidente caiu? Enquanto Roma queimava sob os bárbaros, este mesmo local, hoje pobre, foi o grande defensor da civilização ocidental e da fé cristã por cerca de 1000 anos.
Então, seriam os deuses bárbaros mais fortes?
Impérios vem e vão, poder e dinheiro mudam de mãos o tempo todo, o país rico de hoje pode passar fome amanha. Países cristãos que foram os mais ricos e poderosos, hoje são sofridos. Países não cristãos que ha 50 anos eram inexpressivos, hoje florescem. Não, Deus não veio confirmar seu amor ao seu povo dando-lhes um país rico, ou situações de paz, ou uma politica exemplar. Deus veio nos redimir, como povo peregrino que não tem neste mundo uma pátria. Quer ver o amor de Deus? Não olhe para os confortos deste mundo, mas por cada situação que Deus guiou seu povo para que ele nunca deixasse de marcar seus pés nesta jornada. Quem olha as circunstâncias para avaliar o amor de Deus, não espera ser amado, mas mimado!


Eu vos tenho amado, diz o Senhor. Mas vós dizeis: Em que nos tens amado? Malaquias 1:2a

terça-feira, 22 de maio de 2018

Sistema de Governo

Rev. Dr. Rudi Zimmer, Presidente da IELB em sua nomeação

Como muitos cristãos, Luteranos usam a figura usada por São Paulo em 1 Coríntios 12. 12-31 da igreja como sendo o corpo de Cristo. Um corpo tem muitos membros, mas permanece um corpo somente. Cada membro deve desempenhar sua função para que o todo seja saudável. Esta imagem funciona muito bem entre nós em face da doutrina do sacerdócio universal dos crentes. 

Luteranos se definiram por vias doutrinais. O próprio luteranismo se origina de debates com o catolicismo sobre a justificação pela fé. Algumas outras denominações cristãs se definiram por questões políticas. Congregacionalistas, por exemplo, concedem a cada congregação independente uma grande autonomia. Presbiterais, em contraste, se organizaram num modelo piramidal por eleição (representantes das congregações representam a igreja no sínodo, representantes dos sínodos tomam parte na assembleia geral, ou concílio). 

Justamente pelo fato de luteranos terem se definido mais doutrinariamente que por política, existe certa diversidade na organização de seus membros. Lutero era conservador e não fazia acordos em questões doutrinais, mas era cauteloso e muito flexível em questões de estética, rituais e organização. Esta flexibilidade se mostra até hoje. Existem sistemas congregacionais e presbiterais, algumas independentes que se governam pela assembleia de seus membros, outras se associam em sínodos. 

Em países europeus as comunidades são lideradas por bispos, assim como no modelo católico. Na Alemanha, o luteranismo e o catolicismo são religiões oficiais do Estado, na Escandinávia, é a única protegida por leis específicas. (deve-se lembrar que, ainda assim, a liberdade religiosa nestes países é a mais robusta no mundo). 

Não foi o objetivo da reforma alemã alterar fundamentos da relação entre igreja e Estado, como o tentaram outros reformadores, como Zwinglio e Calvino. Assim, fora dos países que a adotaram como religião oficial, você deve voluntariamente optar por pertencer à esta confessionalidade (ao invés de já ser incluído nela ao nascer). Mesmo nestes países, é comum que seus líderes eleitos sejam bispos. 

No Brasil, a Igreja Evangélica Luterana do Brasil não tem o costume de nomear bispos, mas são chamados conselheiros distritais, e para a liderança geral de toda a igreja no país, o pastor presidente faz as vezes do arcebispo nas estruturas da comunidade europeia, atualmente, posição ocupada pelo Rev. Dr. Rudi Zimmer, grande teólogo a quem sou grato a Deus por ter confiado nossa liderança para os próximos anos.

Modelo Europeu com o episcopado histórico (ordem de bispos)