Apenas o diário de alguém que se reserva sempre ao direito de estar errado. Aprender é um processo contínuo!
quinta-feira, 3 de setembro de 2020
Redimindo a cultura
segunda-feira, 22 de junho de 2020
Gálatas: Como ser um cristão que gera frutos?
“E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito.” Gálatas 5:24,25
É interessante como muitas vezes somos ensinados desde pequenos a ler esta passagem: isto é uma obrigação! Devemos crucificar a carne, temos que andar no espírito! Então pegamos aquela lista que Gálatas faz do fruto do Espírito para examinarmos a nossa vida.
-Que parte deste fruto está faltando em você? Será que você está com seu cristianismo em dia? O que eu deveria fazer para ser um cristão de verdade? O que é a carne afinal? Eu estou na carne?
Estas e muitas perguntas do tipo são bem comuns, e por isto, vale uma dica para lermos este livro da Bíblia:
Carne, para a carta aos Gálatas é a natureza caída do ser humano, em seus pecados e delitos. Sempre que o termo é citado, isto não tem relação com a carne física, mas sempre demonstra um modo de vida longe de Deus. O que se opõe a carne é o Espírito. E neste caso, não estamos falando do espírito humano, mas da própria vida ligada a Deus. Isto é importante! Muitos tendem a ler Gálatas como um padrão de vida moral que devemos buscar, mas não é isto o que Deus nos fala nesta carta. O tema é sempre que existe a carne, e ela deseja coisas que lhe são próprias, e existe o Espírito, que opera em nós, crentes, o que lhe é próprio. O grande tema é mostrar que quando buscamos qualquer participação no viver espiritual, ainda que isto pareça ser piedoso, ou seja, do Espírito, Paulo é claro em dizer que isto é a carne também. Na carne nós tentamos fazer coisas, obras; no Espírito entendemos que nada pode ser acrescentado ao que já está feito.
Só neste ponto já há algo importante, pois muitos confundem mesmo, Gálatas fala que é ruim e pecaminoso a carne, e nisto, muitos realmente pensam que Paulo está falando da carne no sentido humano, físico, e daí alguns pensamentos como o de Jesus não ter assumido totalmente a carne humana, ou que na ressureição ele deixou o corpo carnal no túmulo e que saiu de lá só como espírito, que Jesus não é mais carne e osso agora, ou ainda que no dia final, nós viveremos eternamente como espíritos, com “corpo espiritual”, e não que viveremos em nossa mesma carne de agora, só que livres do pecado.
Enfim, Gálatas não fala que a carne (física) e ruim, não fala da luta de igual pra igual entre carne e espírito (quem já ouviu aquela: “ganha o lado que você alimentar mais”) não fala que devemos olhar o fruto do espírito para medir a nossa vida, nem que devemos buscar fazer algo para sermos espirituais, ou “crentes melhores”
Esta carta não é sobre o que nós fazemos por Cristo, para isto tem referências melhores, mas é uma carta toda nos mostrando o oposto: o que Cristo fez, e alguma nota sobre como isto se reflete na vida.
Voltemos ao texto:
“E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito.” Gálatas 5:24,25
“Crucificaram”, literalmente: εσταυρωσαν (Aoristo, indicativo ativo, terceira pessoa do pural) isto tudo significa dizer: crucificar aqui etá num tempo verbal que significa algo importante: é uma ação pontual e concluída no pasado. Se tivéssemos que tomar Gálatas todo como um padrão de vida moral, crucificar a carne não seria algo concluído no passado, mas algo constante, um dever diário, entretanto, aqui falamos em algo concluído e perfeito. Houve um momento no tempo onde nossa carne encontrou sua derrota, e este momento se liga à cruz. Isto não significa que estamos totalmente livres do mal, mas que esta derrota da carne já está selada, e já vivemos portanto num tempo onde este “crucificar da carne” é um evento concretizado.
“Se vivemos”, literalmente: Εάν ζώμεν, gosto desta exposição da edição de Bambas da bíblia grega, justamente por deixar exposto com muita clareza algo que no portugues parece ter outro sentido. Quando pensamos em numa condicional “se”, automaticamente somos levados a pensar nisto como uma condição que deve estar presente se queremos o resultado que vem depois “Se voce passar na faculdade, eu te dou um carro!” Ou seja, eu preciso me certificar de cumprir um requisito se quiser ter o resultado dele, mas no grego, língua em que o Espírito Santo inspirou a bíblia para ser escrita, não é exatamente assim. Este “se” é retratado como um grau máximo de certeza, do mesmo tipo que se usa para descrever um fato científico, ou seja, Deus não está usando este texto para nos fazer olhar para nossa vida e avaliar “se vivemos pelo Espírito”, mas ele constata uma verdade da qual não há dúvida: “já que vivemos pelo Espírto...” então segue-se a consequência natural disto “andamos pelo Espírito”
Com tudo isto, Deus não está esfregando a carta aos Gálatas diante de nós, nos mandando olhar para nossa vida e nos perguntarmos: “será que eu vivo no Espírito?” Mas na verdade a mensagem dele para nós, que cremos em sua obra, é: não olhe para a sua vida para buscar alguma justiça, olhe para o Espírito!
Se olhamos para o que podemos fazer, nós não chegamos a Deus, nem mesmo se cumprissemos toda a lei de Deus de modo perfeito, ainda assim não chegaríamos a Deus. Por isto, vivemos pelo Espírito, pela fé, e pela fé somente.
sábado, 11 de abril de 2020
Wayne Grudem – uma avaliação crítica parte 2 (Batismo)
A palavra grega baptizo significa “mergulhar, afundar, imergir” algo na água. Isso é normalmente reconhecido, sendo esse o significado padrão do termo na literatura grega antiga tanto na Bíblia como fora dela.
(2) O sentido “imergir” é adequado e provavelmente exigido para a palavra nos vários textos do Novo Testamento. Em Marcos 1.5, o povo era batizado porjoão “no riojordão” (o texto grego traz en,“em”, e não “ao lado” ou “próximo” ou “perto” do rio).6 Marcos também nos diz que quandojesus foi batizado “ele saiu da água”(Mc 1.10). O texto grego especifica que ele saiu “para fora da” (ek)água, e não que ele veio da água (mais bem comunicado pelo gr. apo).O fato de quejoão ejesus entraram no rio e saíram dele sugere enfaticamente imersão, já que a aspersão ou a afusão de água poderiam muito mais facilmente ter sido feitas junto ao rio, especialmente pelo fato de que multidões estavam vindo para o batismo. O evangelho de João nos diz depois q u ejo ão Batista “estava também batizando em Enom, perto de Salim, porque havia ali muitas águas” (Jo 3.23). Novamente, não era necessário muita água para batizar pessoas por aspersão, mas isso seria preciso para batizar por imersão. (Grudem, p.814)
Consistindo somente em comidas, e bebidas, e várias abluções (βαπτισμοῖς) e justificações da carne, impostas até ao tempo da correção. Hebreus 9:10
O homem puro aspergirá o impuro ao terceiro e ao sétimo dia e o purificará no sétimo dia. Lavará as suas vestes e a si mesmo, e à tarde será puro. Números 19:19
E eu, em verdade, vos batizo (βαπτιζω) com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará (βαπτισει) com o Espírito Santo, e com fogo. Mateus 3:11
Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Atos 2:3
todos foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar; 1 Coríntios 10:2
Mesmo o lavar é muito mais eficazmente simbolizado pela imersão do que pela aspersão ou afusão, e a morte e ressurreição com Cristo são simbolizados apenas pela imersão e de modo nenhum pela aspersão ou pela afusão. (Grudem, p.816)
O batismo é corretamente ministrado a todas as crianças que sejam filhas de pais cristãos. Essa posição é muito comum em muitos igrejas protestantes (especialmente luteranas, episcopais, metodistas, presbiterianas e reformadas). Essa posição é às vezes conhecida como o argumento da aliança em favor do pedobatismo. E chamada argumento da “aliança” porque depende de interpretar que os filhos dos cristãos fazem parte da “comunidade da aliança” do povo de Deus. O termo “pedobatismo” significa que o costume de batizar crianças (o prefixo paidoexpressa a idéia de “criança” e é derivado da palavra grega pais,“criança”). Estarei interagindo principalmente com os argumentos de Louis Berkhof, que explica com clareza e defende bem a posição pedobatista. (grudem, p.821)
Mas como alguém se torna membro da igreja? O meio de ingresso na igreja é voluntário, espiritual e interior. Alguém toma-se membro da verdadeira igreja através do novo nascimentoe da fé salvadora,e não de um nascimento físico. Isso ocorre não por um ato externo, mas pela fé interior do coração. Com certeza é verdade que o batismo é o sinal de ingresso na igreja, mas isso significa que este deve ser ministrado aos que dão provade serem membros da igreja, somente os que professam fé em Cristo. (Grudem, p.823)
Na verdade, há outros exemplos em que o batismo não é mencionado, nos quais vemos testemunho explícito do fato de que uma família inteira demonstrou fé. Depois que Jesus curou o filho de um oficial, lemos que o próprio pai “creu e toda a sua casa ” (Jo 4.53). Semelhantemente, quando Paulo pregou em Corinto, “Crispo, o principal da sinagoga, creu no Senhor, com toda a sua casa (At 18.8). (Grudem, p. 824)
O batismo opera o perdão dos pecados, livra da morte e do diabo, e dá salvação eterna a todos os que crêem nisso, como declaram as palavras da promessa divina.
Finalmente, os que defendem o batismo de convertidos com freqüência expressam preocupação diante das conseqüências práticas do pedobatismo. Eles argumentam que a prática do pedobatismo na igreja de hoje muitas vezes leva pessoas batizadas na infância a presumir que foram regeneradas, e assim não sentem a urgência da necessidade que têm de virem a ter fé pessoal em Cristo. Em alguns anos, essa tendência provavelmente resultará em número crescente de membros não convertidosna “comunidade da aliança”, os quais não são verdadeiramente membros da igreja de Cristo. Naturalmente, isso não fará de uma igreja pedobatista uma falsa igreja, mas a tomará uma igreja menos pura, que com freqüência estará enfrentando tendências doutrinárias liberais ou outros sinais de incredulidade trazidos para a igreja pelos membros não regenerados. (Grudem, p.826)
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019
Imaculada Purificação de Maria
domingo, 13 de janeiro de 2019
O Terceiro Uso da Lei
A lei possui tres usos:
1- para os não-regenerados ela é norma que obriga a vontade externa a se submeter, sua pena: prisão, danos civis, multas
2- para os não-regenerados ela é norma que expõe o desejo impuro e o impulso para o mal, ela condena a consciência, aponta para a justificação, sua pena: o inferno, a ira de Deus
3- para os regenerados ela é ensino, espelho e subjulga o velho adão em todos nós.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2018
Natal - O Grande e Terrível dia do Senhor
*Antes de seguirmos o artigo, como é de hábito, deixo um aviso quando a linguagem usada se torna um pouco mais técnica ou densa.
Temos por hábito pensar em Deus como “um cobertorzinho fofo” como já disse certa vez uma famosa, algo sempre agradável e bonito. Mas esta não era a visão de Deus que se podia esperar.
Em Jó, ele é o que narra diante do quase morto Jó toda a glória e majestade e faz o pobre homem tremer, em Moisés, ele é o dominador que destruiu o Egito e se manifestou cercado de densas e tenebrosas nuvens, com o som de raios e trovões, fazendo o monte arder como uma fornalha e suas bases tremerem, nos salmos, ele é o que deve ser beijado para que não se ire, em Isaías, Ele é o terrível diante do qual o medo da morte é uma mera sombra. No Apocalipse, ele tem os olhos como chamas de fogo e sua boca é como uma espada afiada. Sim, através de toda a Escritura, esta é a visão de Deus: Terrível!
Houve um homem nascido judeu que alegava ser, ou “o filho de”, ou ser “um com”, o Algo que é ao mesmo tempo o terrível assombrador da natureza e o autor da lei moral. É tão chocante que somente duas opiniões sobre esse homem se tomam possíveis: Ou ele foi um lunático do tipo mais abominável, ou, foi, e é, precisamente aquilo que afirmou. Não existe meio termo. Se a primeira hipótese for inaceitável, resta somente a segunda.
E se fizer isso, tudo o mais dito sobre ele torna-se verdadeiro – que seu nascimento e que sua morte, de maneira incompreensível para a mente humana, produziu uma real mudança em nossas relações com o terrível e justo SENHOR. modificando essa relação em nosso benefício.
O cristianismo não é um debate filosófico sobre as origens do universo: mas um evento histórico catastrófico que se seguiu ao longo preparo espiritual da humanidade.
E se Deus se fez carne, como nós somos carne e sofreu, então não se trata de um sistema no qual temos de encaixar o fato embaraçoso do sofrimento. Num certo sentido, este fato do natal abraça, em lugar de resolver, a questão do sofrimento humano, pois este não seria um problema a não ser que, lado a lado com nossa experiência diária deste mundo sofredor, tivéssemos recebido o que julgamos ser uma boa certeza de que a realidade final é justa e plena de amor. E quando chegamos ao último passo, a Encarnação histórica, a segurança é a mais forte de todas.
quarta-feira, 1 de agosto de 2018
O Pão nosso de cada dia dai-nos hoje
terça-feira, 17 de julho de 2018
Bultmann e os mitos sobre Jesus
domingo, 24 de junho de 2018
São João Batista, a voz no tempo!
quinta-feira, 7 de junho de 2018
Por que Cristo precisava se tornar homem?
terça-feira, 29 de maio de 2018
Quem é o Anticristo?
quinta-feira, 17 de maio de 2018
O Pentecoste nosso de cada dia
quinta-feira, 19 de abril de 2018
Gêneros Literários na Bíblia - parábolas
- se cita nomes, então é uma história real;
- todos os elementos tem um significado;
- só é parábola se Jesus disse que é parábola;
- etc...












